Resumo direto: feridas crônicas que não evoluem precisam de diagnóstico da causa, controle de infecção e um plano objetivo. “Passar algo” sem estratégia só prolonga o problema.
Quando uma ferida vira crônica
Falamos em ferida crônica quando o processo de cicatrização trava e não avança no tempo esperado. Em vez de passar pelas fases (inflamação, proliferação, maturação) de forma ordenada, a ferida fica em inflamação prolongada, com tecido inviável, exsudato excessivo e bordas paradas.
As causas mais comuns de cronicidade
1) Perfusão insuficiente (pouco oxigênio)
Sem sangue, não há cicatrização. Isquemia arterial, insuficiência venosa e edema importante reduzem a oxigenação local.
2) Pressão e trauma repetido
Pontos de apoio (calcanhar, região plantar, sacro) sofrem microtraumas constantes. Sem alívio de pressão, a ferida não fecha.
3) Infecção e biofilme bacteriano
Biofilme é uma “placa” de microrganismos aderidos à ferida, protegidos por matriz. Mantém inflamação, atrapalha curativos e reduz a resposta ao antibiótico.
4) Doenças de base e fatores sistêmicos
- Diabetes descompensado, doença arterial periférica, insuficiência venosa crônica.
- Desnutrição, anemia, deficiência de proteínas e micronutrientes.
- Medicações (corticoides crônicos, imunossupressores), tabagismo.
5) Manejo local inadequado
- Curativo que resseca demais ou “afoga” a ferida em exsudato.
- Falta de desbridamento quando indicado.
- Uso de substâncias irritantes (álcool, iodo direto, receitas caseiras).
- Compressão mal indicada (sem avaliar isquemia) ou ausência de compressão quando há apenas componente venoso.
O que avaliar primeiro
- Etiologia: venosa, arterial, neuropática, mista, pressão, inflamatória?
- Perfusão: pulsos, temperatura, dor, exames (ITB/doppler).
- Carga microbiana: sinais de infecção, odor, biofilme visível.
- Exsudato: volume/viscosidade orientam escolha do curativo.
- Bordas: aderentes, enroladas, com calo, maceradas?
- Paciente: dor, nutrição, glicemia, mobilidade, suporte social.
Método prático: abordagem TIME
Para “destravar” a cicatrização, use o framework TIME:
- T (Tissue): remover tecido desvitalizado (desbridamento conservador, enzimático ou instrumental conforme avaliação).
- I (Infection/Inflammation): romper biofilme (limpeza mecânica, antissépticos apropriados), tratar infecção.
- M (Moisture): equilíbrio de umidade com curativos adequados (espuma, hidrofibra, alginato, hidrocoloide, hidrogel).
- E (Edge): ativar bordas (desbridamento de calos, tratar maceração, otimizar perfusão).
Ferramentas que ajudam (com bom senso clínico)
- Terapia compressiva em insuficiência venosa após descartar isquemia significativa.
- Offloading (alívio de pressão) em feridas plantares.
- Desbridamento seriado para reduzir biofilme e tecido inviável.
- Educação e plano de autocuidado escritos.
- Tecnologias adjuvantes como fotobiomodulação e hidrozonioterapia para modular inflamação e conforto.
Nutrição e metabolismo: sem tijolo não se constrói parede
Proteínas, ferro, zinco, vitaminas A, C e D são críticos para a síntese de colágeno e imunidade. Avalie ingestão calórica, hidratação e, se preciso, suplementação direcionada com profissional habilitado.
Erros que mantêm a feridas crônicas
- Mudar curativo toda semana “para testar” sem objetivo.
- Ignorar dor (dor alta = pior perfusão e adesão ruim).
- Não tratar edema/varizes quando é venosa.
- Usar antibiótico tópico de forma indiscriminada.
- Adiar avaliação vascular quando há sinais de isquemia.
Plano de ação em 7 passos
- Defina a causa (venosa, arterial, neuropática, pressão, mista).
- Controle infecção/biofilme e faça desbridamento indicado.
- Equilibre a umidade com o curativo certo.
- Alivie pressão ou use compressão quando for caso venoso.
- Otimize sistêmico: glicemia, nutrição, dor, parar tabagismo.
- Monitore com métricas: área (cm²), exsudato, dor, foto padronizada.
- Reavalie a cada 2–4 semanas; sem avanço, mude a estratégia.
Como a Calcutá Saúde Integrativa entra nesse jogo
O cuidado na Calcutá Saúde Integrativa é estruturado para destravar feridas com:
- Avaliação etiológica e plano baseado em evidência (TIME).
- Curativos avançados e protocolos de controle de biofilme.
- Tecnologias para modular inflamação e reduzir dor (fotobiomodulação; hidrozonioterapia).
- Educação para autocuidado e acompanhamento próximo.
Resultado: menos trocas aleatórias de curativo, mais progresso real. Precisa de um plano claro? Converse com a Calcutá e organize o cuidado.