Como a úlcera venosa se forma
A base do problema é a insuficiência venosa. Válvulas das veias falham, o sangue reflui e a pressão aumenta, principalmente ao ficar em pé parado por muito tempo. Essa hipertensão venosa crônica inflama o tecido, dificulta a chegada de oxigênio e nutrientes e, com pequenos traumas ou coceira, abre a ferida.
Sinais e sintomas típicos
- Localização mais comum: região do maléolo medial (perto do “tornozelo de dentro”).
- Dor que melhora ao elevar as pernas e piora ao ficar em pé parado.
- Edema (inchaço), pele escurecida (hiperpigmentação), dermatite ocre, lipodermatoesclerose.
- Ferida de bordas irregulares, fundo úmido, exsudato de moderado a alto.
Alerta: nem toda ferida na perna é venosa. Diferenciar de úlcera arterial, neuropática ou mista muda o tratamento.
Diagnóstico básico
- História clínica e exame físico orientados para sinais venosos.
- Índice tornozelo-braquial (ITB) para avaliar fluxo arterial. Se ITB < 0,8, compressão precisa de cautela.
- Doppler venoso quando necessário (varizes, refluxo, trombose prévia).
Tratamento: pilares que funcionam
Terapia compressiva (pilar 1)
É o que mais acelera a cicatrização e reduz recidiva na úlcera venosa. Opções: bandagens de curta/longa elasticidade, sistemas multicamadas e meias de compressão. A escolha depende do exsudato, formato da perna, tolerância e presença de doença arterial. Regra de ouro: medir, ajustar e reavaliar.
Curativo adequado (pilar 2)
Objetivo: controlar exsudato, proteger pele ao redor, manter ambiente úmido terapêutico e evitar trauma na troca. Espumas, hidrocoloides, hidrofibras, alginatos e filmes têm indicações específicas. Não existe “curativo milagroso”; existe curativo certo para a fase certa.
Controle de edema e movimento (pilar 3)
Elevar as pernas várias vezes ao dia, caminhar diariamente, fortalecer panturrilhas. Imobilidade piora tudo. Orientar exercícios simples de tornozelo e pé.
Cuidado da pele e prevenção de infecção (pilar 4)
Higiene com água morna e sabonete suave, hidratação diária, proteção da borda perilesional. Infecção é clínica: aumento da dor, vermelhidão progressiva, secreção purulenta, odor forte e piora sistêmica pedem avaliação médica.
Manejo de dor (pilar 5)
Dor descontrolada sabota adesão. Ajustar curativo e compressão, usar analgesia conforme orientação clínica.
O que NÃO fazer
- Compressão sem avaliar fluxo arterial (risco se houver componente arterial significativo).
- “Receituários” permanentes de antibiótico sem sinais de infecção.
- Cauterizações agressivas sem indicação, que atrasam a granulação.
Plano prático de 4 passos
- Avaliar: tipo de ferida, ITB, dor, exsudato, mobilidade, comorbidades.
- Intervir: compressão indicada, curativo adequado, controle de edema, analgesia.
- Educar: como caminhar, elevar pernas, trocar curativos, sinais de alerta.
- Prevenir recidiva: meias de manutenção, peso adequado, rotina de exercícios.
Quadro-resumo de escolha de curativo
| Situação | Opção comum | Objetivo |
|---|---|---|
| Exsudato alto | Espumas, alginatos, hidrofibras | Absorver e proteger pele |
| Exsudato baixo | Hidrocoloide fino, filme | Manter umidade terapêutica |
| Pele frágil | Espumas com borda de silicone | Reduzir trauma na remoção |
Prevenção: onde o resultado se consolida
- Compressão de manutenção: meia prescrita, uso diário.
- Atividade física: caminhar, exercícios de panturrilha, evitar longos períodos parado.
- Cuidado da pele: hidratação, tratar dermatite de estase.
- Peso, diabetes, hipertensão: controlar com equipe de saúde.
Diferenças básicas para outras feridas da perna
- Úlcera arterial: geralmente mais dolorosa, bordas “sacabocadas”, pele fria, pulsos fracos; compressão é contraindicada.
- Úlcera neuropática (ex.: diabetes): áreas de pressão do pé, pouca dor; foco é descarga do ponto de pressão.
- Mista: sinais venosos + arteriais; compressão leve e avaliação vascular.
Quando procurar serviço especializado
- Ferida não evolui após 4–6 semanas de manejo adequado.
- Sinais de infecção sistêmica, dor piorando ou suspeita de comprometimento arterial.
- Recidivas frequentes ou dificuldade de adesão à compressão.
Referências e materiais confiáveis
Como a Calcutá Saúde Integrativa pode ajudar
Na Calcutá Saúde Integrativa, o cuidado com feridas crônicas integra avaliação vascular básica, escolha criteriosa do curativo, prescrição e adaptação da terapia compressiva, educação do paciente e acompanhamento para prevenção de recidiva. O foco é acelerar cicatrização e manter as pernas saudáveis a longo prazo. Precisa montar um plano personalizado? Agende uma avaliação.
Conclusão
Úlcera venosa cicatriza com plano certo: compressão, curativo adequado, movimento e prevenção. Nada de atalhos. Precisa de orientação prática e acompanhamento? Fale com a Calcutá Saúde Integrativa e inicie seu protocolo de cicatrização.